Reeducação de Vida! 6


Adaptação na Suíça

Este artigo era pra ser uns dos primeiros, mas fui deixando ele de lado. Escrevia alguns parágrafos de vez em quando, excluía outros. Na verdade esse tempo em que ele ficou esquecido na pasta de rascunhos foi bom, pois assim pude acrescentar várias coisas que em um ou dois meses atrás eu desconhecia.

Acho super interessante para a “vida do blog” relatar um pouco de como foi e está sendo a minha, ou, a nossa adaptação na Suíça. E antes de mais nada gostaria de deixar claro que esse tema é amplo e engloba diversos assuntos, então não tem como, este artigo vai ser “tudo junto e misturado” mesmo.  Vamos lá!

A mudança para outro país pertence a uma categoria de peso. Devemos estar com os dois pés no chão, literalmente acordados, planejar tudo com muita cautela, responsabilidade e principalmente, estarmos preparados à NOVA VIDA. Pra onde quer que se vá, sempre haverá vantagens e desvantagens, é imprescindível estar aberto à mudanças. Além disso, não existe país melhor ou pior, mas diferentes. Temos que aproveitar os benefícios de cada lugar e tomar para si os pontos positivos de outros povos. Parece fácil e deveria ser, mas não é. A cultura se define como o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e tradições de um povo. Mudar dói, mas a boa notícia é que cultura também é um processo em permanente evolução.

Quando me mudei para a Itália há anos atrás, não levei em consideração nada das coisas que escrevi no parágrafo anterior. Simplesmente larguei tudo, não pensei em nada, topei a aventura e parti. Estava apaixonada, o que importava naquela época era estar ao lado da pessoa que eu amava, sendo no Brasil, na China, Nova Zelândia ou na Itália, não interessava o local e sim o amor.

Como todos sabem nossa família aumentou, o amor aumentou e nossas responsabilidades também. Então desta vez não pude me aproveitar da “cegueira” novamente. Tive mesmo que estudar cada item daquela categoria com cautela e paciência. Apesar de já ter morado na Europa e saber basicamente como as coisas funcionariam, desta vez seria diferente. Algumas perguntas  martelavam minha cabeça. Como seria a adaptação dos meninos? Como eles reagiriam a solidão? A nova língua, a cultura, os amiguinhos?

Passada as primeiras semanas da chegada ao novo país, comecei a recordar minhas preocupações pré-mudança, daquelas perguntas que só teriam respostas na prática… eu ria de mim mesma. Mães, mães, sempre se preocupam com tudo, algumas até exageram no quesito e essa sou eu!

Já ouviram de alguém que as crianças de hoje nascem mais espertas, inteligentes, etc… Então, acredito que as minhas já nasceram mais maduras também, rsrsrsrsr é pra rir mesmo, pois quem “sofreu” com a adaptação, foi a macaca velha aqui! Não em relação ao país ou a cidade, nada disso. Existem várias coisinhas que pra mim eram simples e comodas no Brasil e aqui não são tão simples assim. E quanto aos meninos? estão curtindo e vivendo numa boa desde que pisaram em solo Suíço, com exceção do idioma que esta em fase de aprendizagem, o restante caminha de vento em polpa.

Crianças Brasileiras que moram na Suíça, Adaptação

Uma das coisas mais inusitadas e “chata” digamos assim, é  a Lavanderia. Na Suíça os condomínios têm suas lavanderias coletivas. Aqui no prédio eu posso lavar a roupa uma vez na semana. Repito! Uma única vez na semana. Achei que não seria possível, mas é. 🙁 Temos uma lista dos moradores fixada na parede com seus respectivos dias. Possuímos um espaço interno e outro externo para secar nossa roupa, mesmo assim não é o suficiente. No inverno a roupa não seca de um dia para o outro, diversas vezes quando vou lavar a minha, os varais estão lotados e aí? Tenho um extra aqui em casa, aqueles varais portáteis, mantenho-o dentro de casa e coloco pra secar principalmente as roupas íntimas, porque, fala sério, é íntimo né? Já não curti muito a idéia de uma lavanderia e varais coletivos, imagina então se vou deixar nossas cuecas e calcinhas livres pelo porão! Torna-se cômico, mas na prática é chato, chato e chato. Bom, para quem estava acostumada a chegar em casa do trabalho e colocar roupa para lavar praticamente todos os dias, ter o seu próprio varal e poder tirá-la a hora que quisesse e bem entendesse, hummm, levei um tempinho para me adaptar, mas acabei acostumando.

Cartilhas da SuíçaOutra coisa interessante que vale a pena relatar é sobre a Prefeitura “Gemeinde”. Primeiramente devemos nos registrar (é obrigatório), apresentamos diversos documentos, incluindo o contrato de trabalho do meu marido, a permissão para residir no país, contrato de aluguel, entre outros. Feito o registro, nos forneceram  várias cartilhas explicativas sobre quase todos os sistemas fundamentais Suíços, do cantão e da cidade que habitamos.

Uma dessas cartilhas, explica como viver em comunidade. Isso mesmo! Como viver em comunidade. Lembrando, estou em outro país, outra cultura, até para o bem estar da convivência existem regras aqui! 😮

Na Suíça, duas em cada três pessoas residem em uma habitação alugada. É muita gente morando pertinho e, portanto, existem regras a seguir. Como já fiz uma breve introdução em um dos artigos publicados anteriormente, o silêncio aqui é lei. O período de silêncio noturno aplica-se geralmente das 22:00 às 07:00, o de silêncio diurno, das 12:00 às 13:00. Durante esses períodos devemos ajustar o volume da Tv e aparelhos de som, de modo que não sejam ouvidos pelos vizinhos e também não devemos realizar atividades ruidosas. Aos domingos e feriados a Lei do silêncio impera absoluta. Se realizamos uma festa, precisamos avisar todos os vizinhos antecipadamente.

Falou em silêncio os filhos entram em cena, pois, existem vários vícios nos comportamentos deles que precisamos corrigir e/ou melhorar, e rápido.

Como por exemplo: O tom de voz: Meu marido e eu temos um tom de voz alto, consequentemente eles também tem, é obvio que nós adultos conseguimos controlar, já eles não, então precisamos ajudá-los a controlar e isso leva um tempinho.

O Barulho: Já se passaram 5 meses desde a nossa chegada, desde os primeiros dias sabíamos sobre a Lei do Silêncio, mas esses pequenos ainda me dão certo trabalho nos horários restritos. O que me resta é improvisar sempre, com filminhos, almoço pronto exatamente naquele horário, ou então colocando-os na cama antes dàs 22:00 hs.

Maquina de lavar louça na SuíçaMas, não pensem que não existe coisa boa nessa história toda de adaptação. Por que tem sim! 😀

A maioria dos apartamentos alugados já vem com jogo de cozinha, e o que mais gostei foi a máquina de lavar louça. Nunca gostei de lavar louça e essa comodidade me fez um bem!!! 😀

O serviço de uma diarista por aqui é super caro, então tudo é oferecido para a maior praticidade na limpeza da casa. A maneira que o Suíço limpa sua casa não são com vassouras, rodos e panos de chão. São com mop e aspiradores de pó, mesmo a casa ou apartamento sendo de piso, assoalhos, forração ou tacos de madeira não importa.  O importante é que seja prático e fácil, a limpeza do nosso apartamento dura minutinhos!

Mopaspirador de pó

A hora do banho já é uma delícia por natureza, nosso apartamento conta com um extra, uma banheira para relaxar um pouco mais!

O sistema de calefação é  prioridade em função das baixas temperaturas e não deixa de ser uma comodidade também, pode estar nevando lá fora que dentro de casa estamos de manga curta só observando a paisagem!

O que acho super bacana é o sistema do Suíço tratar do lixo. Ele é levado super a sério aqui, apesar de ser um dos países que  mais produz lixo no mundo, por outro lado está sempre nas primeiras posições de países que mais reciclam.

Etiquetas para lixo SuíçaComo é que conseguem reciclar tanto? É simples, uma pequena  porcentagem de conscientização e uma grandiosa porcentagem que vai doer no seu bolso. Ou seja, quanto mais lixo produzimos, mais imposto pagamos. O lixo orgânico por exemplo, (restos de comidas, etc) existem saquinhos próprios que se encontram a venda em qualquer supermercado. Esse lixo é recolhido em média duas vezes na semana, (isso nos grandes centros) aqui na minha cidade nós não utilizamos este sistema, praticamente todas as casas e condomínios tem um grande “contenitor” feito em tela de alumínio e saco plástico, com fundo diretamente ao solo. É onde jogamos os restos de alimentos e alí ele vai se deteriorando (um gasto a menos no nosso bolso). Já o lixo seco, depende de região para região, existem Sacos de Lixo Suíçacidades que tem seus próprios sacos à venda. Em Schinznach podemos usar qualquer saco (desde que esteja dentro dos padrões), mas temos  de investir em etiquetas, elas são carinhas, uma cartela com 10 etiquetas custa CHF 15.- o equivalente a uns R$46, 50 reais. Cada saco deve levar este selo para ser recolhido. Sacos com 17 litros, levam meia etiqueta, os de 35 litros uma etiqueta, já os com 60 litros 2 etiquetas e por fim os sacos com 110 litros com 3 etiquetas. E são recolhidos uma vez na semana.

Cioleta de reciclavéis em SchinznachPara os vidros, garrafas pets e latas, existem vários pontos de coleta, isso nas grandes cidades, aqui em Schinznach o local de recolhimento, fica aos fundos da prefeitura.

A coleta de papel e papelão acontece 4 vezes no ano aqui onde moro. Recebemos um jornal quinzenal da prefeitura que contém as datas do recolhimento. Precisamos separar direitinho, em pequenos montinhos (separando papel do papelão) amarramos com uma fita (também reciclável) vendida nos supermercados.

E aqueles objetos maiores que não queremos mais, ou trocamos por um novo?? Aqui é Suíça, e é óbvio que existe mais uma regrinha pra isso e também deve ser pago. Depende de cada região, mas no geral funciona basicamente como o lixo seco, com etiquetas e por quilo, pode-se deixar na rua e será recolhido por um caminhão específico.

No início parece ser trabalhoso,  mas com o tempo isso entra na rotina e fazemos sem perceber. Hoje me pergunto: como era tão “relapsa” com o meu lixo no Brasil? Tomei consciência de que um pouquinho de esforço pode fazer um bem enorme ao meio ambiente.

Será que um sistema como o Suíço com tantas regras funcionaria no Brasil?

A população aceitaria pagar tanto para se desfazer do seu lixo?

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Beijo Grande e até a próxima!


Sobre Kellyn Mazzucco

A Catarinense, Kellyn Mazzucco, mora atualmente na Suíça, já morou na Itália de 2008 a 2010. É Assistente Social, e pós graduada em Recursos Humanos, foi colunista social por 5 anos na sua cidade natal, Canoinhas-SC. Sua curiosidade, vontade de explorar e sua paixão por fotos agora dão vida ao Blog “Um lindo dia para Sorrir!”.


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6 pensamentos em “Reeducação de Vida!

  • Patricia Leitholdt

    Quanta adaptação hein, rsrsr, mas pelo visto estão se saindo muito bem !!!
    Referente ao sistema de lixo, não consigo ver nosso país seguindo tantas regras, infelizmente 🙁 , pois com a simples que temos em nossa cidade que é a separação do reciclável e gratuitamente já não funciona né , imagine tendo que colocar a mão no bolso !! Bjs pra vcs !!!

  • Kellyn Mazzucco Autor do post

    Pati, na verdade o sistema de coleta do lixo no Brasil também é pago anualmente e sai caro. É incluso no IPTU. Mas a parte da reciclagem não funciona mesmo. É uma triste realidade. Conscientização, talvez seja umas das palavras chaves para essa questão no país! Beijos

  • Judite Artner dos Santos

    Acho que as crianças sempre se adaptam com maior facilidade do que os adultos. A gente “pensa” muito antes de decidir qualquer coisa ! Acredito que está aí a diferença! E quanto ao lixo reciclável, tudo depende da cultura de um povo. Aqui no Brasil, acredito que falta exigir mais do povo, pois muitos sofrem pela falta de respeito para com o meio ambiente, mas não aprendem! A falta de conscientização é grande e é mais fácil trabalhar isso com uma criança do que com um adulto, infelizmente! Bjos, minha linda!

  • Kellyn Mazzucco Autor do post

    Para as crianças tudo é uma festa. Tanto que estejam ao lado dos pais, não importa o lugar. Já sobre a reciclagem é como mencionei para a Pati no comentário a cima, falta conscientização, acredito que esta é a palavra chave! Beijooosss

  • Larissa

    Oii Kellyn, a rotina quase não me deixa acompanhar a web, mas estou tirando o atraso e lendo seus post. Me identifiquei contigo nessa historia de lixo. A 2 meses nós nos mudamos pruma pequena chácara, na localidade do Parado. Uma pequena-grande mudança.Enfim, quanto ao lixo, o caminhão passa 1 vez por semana la, então também estabelecemos algumas regras, coisas básicas que qualquer um pode fazer aqui na cidade! O lixo orgânico vai pra compostagem. O lixo seco lavamos, separamos em fardos (papel/papelão/latas/vidro/caixa de leite) e uma vez por mês por incrível que pareça vendemos, em uma cooperativa de catadores! Então o que a prefeitura coleta é apenas lixo sujo mesmo! Apenas uma questão de conscientização ecológica! Mas falando em barulho, as criança estão cada vez mais expressivas, tirando o atraso pelo tempo que viveram em apartamento!!!! Beijos e tudo de bom pra vocÊs!

  • Kellyn Mazzucco Autor do post

    Olá Larissa. Obrigada pelo carinho! No inicio até dá um certo trabalho pois não estávamos acostumados com aquele sistema, mas depois entra na rotina e fazemos em automatico. Muito bom não é? A Natureza agradece! Beijos